A história do vidro remonta a milênios, com várias culturas reivindicando sua descoberta. Fenícios, romanos, egípcios, persas, bizantinos e chineses têm suas versões sobre como esse material surgiu. De acordo com o historiador Plínio, o Velho, no século I d.C., os fenícios foram os primeiros a reproduzir o “fenômeno natural de aquecimento e fusão da sílica causada por um raio”, criando uma substância translúcida conhecida como vidro ou cristal. (Fonte: Encyclopedia Britannica).
Vestígios arqueológicos indicam que o vidro era utilizado muito antes pelos egípcios, com contas coloridas, frascos e adornos encontrados em tumbas faraônicas, muito antes dos fenícios. No entanto, acredita-se que a verdadeira origem do vidro tenha ocorrido na região do Mediterrâneo, com os sírios inventando a técnica do vidro soprado, melhorando seu acabamento e estética. (Fonte: Museu do Vidro – Murano).
Os romanos desempenharam um papel crucial na popularização do vidro. Eles foram os primeiros a usar o vidro em janelas, contribuindo para a evolução do material. A combinação do vidro com outros materiais, como ferro e chumbo, resultou em uma variedade de vasos ornamentais e vitrais, técnicas que ainda são reconhecidas pela sua habilidade e beleza. (Fonte: Saint-Gobain).
Durante a Idade Média, a arte vidreira se manteve viva, apesar de períodos turbulentos, e Constantinopla tornou-se refúgio para artistas que influenciaram a fabricação do vidro. No século 13, Veneza se tornou o centro vidreiro europeu, concentrada na Ilha de Murano. Sua produção ganhou fama por toda a Europa, impulsionando mercados como Bélgica, Alemanha e Boêmia, que se destacaram na criação de vitrais para catedrais góticas.
O Renascimento marcou um período de grande evolução no vidro, quando se começou a alavancar os princípios científicos e a racionalidade, estabelecendo as bases para a industrialização do vidro e a criação do “vidro perfeito”. (Fonte: Encyclopedia Britannica).
No século XVII e XVIII, a França se destacou pela manufatura de vidro, especialmente com o reinado de Luís XIV. Ele, junto com o ministro Colbert, criou empresas nacionais para proteger a arte vidreira. O auge dessa iniciativa foi a criação da Saint-Gobain, uma das maiores e mais reconhecidas empresas de vidro do mundo, que segue sendo uma referência até os dias de hoje.
Nos primeiros tempos da sociedade colonial brasileira, o vidro era um produto raro e de luxo. De acordo com os registros de Pero Vaz de Caminha, no relato sobre o encontro de Cabral com os Tupinambás, não há menção ao vidro entre os presentes oferecidos aos indígenas. No entanto, com a intensificação do escambo e o comércio com a metrópole, o vidro começou a ser introduzido na colônia, mas sempre como um objeto raro, encontrado em algumas janelas e utensílios domésticos.
A troca de madeira por artigos europeus, incluindo espelhos e utensílios de vidro, foi um dos primeiros contatos com esse material. O vidro no Brasil continuou a ser uma raridade até o século XIX, quando sua produção local começou a ser mais difundida, seguindo a evolução das técnicas europeias. (Fonte: Plínio, o Velho – Natural History).