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Triptyque: Edifício Leitão 653

Wednesday, 06 November 2013. Publicado na Seção: Novidades

Silhuetas contra a luz

Triptyque Blocos de Vidros07
O escritório franco-brasileiro Triptyque projeta edifício comercial marcado por uma fachada lateral constituída por blocos de vidro. Durante o dia, a imagem remete a um outdoor pixelizado e, à noite, faz do edifício uma lanterna urbana

Quando estudantes de arquitetura em Paris, o quarteto que viria a formar o escritório Triptyque foi marcado pela visita à Maison de Verre, de Pierre Chareau. Projetada e construída entre 1928 e 1932, a casa situada no miolo de um quarteirão de Saint‑Germain-des-Prés foi o primeiro projeto a utilizar o bloco de vidro como elemento principal, técnica e esteticamente, nos fechamentos.

Claramente inspirado pela obra-prima de Chareau, o edifício 653 da rua Francisco Leitão, no bairro de Pinheiros, afirma sua proposta arquitetônica por meio da fachada lateral constituída pelo grandioso plano de 34 x 13 metros composto por blocos de vidro.

A edificação se insere numa paisagem em transformação e marcada pela variação de escalas, contrapondo construções pequenas e antigas a novas torres residenciais. A implantação em típico lote paulistano, estreito e profundo (aproximadamente 42 x 10 metros), condicionou a concepção projetual aos recuos previstos na legislação municipal, limitando o prédio a quatro metros de largura.

Analisando o edifício verticalmente, há uma mistura de usos comerciais. O rés do chão é ocupado por uma concessionária de motocicletas com dois escritórios no andar acima, que completam o embasamento. Sobre este, um terraço faz a transição para os quatro andares do edifício, caracterizados pela parede em bloco de vidro. Neles estão escritórios comerciais dúplex para jovens empresas que compartilham, na cobertura, uma sala para reuniões e o terraço-jardim. A circulação vertical centralizada possibilita aos conjuntos iluminação natural e vistas para o exterior em 3/4 do seu perímetro.

Elemento industrializado, autoportante, disponível em qualquer loja de construção, o bloco de vidro caracteriza e qualifica o Leitão 653, trazendo uma luz difusa e uniforme a um espaço restrito aos quatro metros de largura. Funciona também como um filtro a minimizar o impacto da vista direta para o cemitério vizinho, mais por questões culturais do que pela imagem bucólica do lugar em si.

Some-se o aspecto conjuntural de que a concepção data do período de implementação da Lei Cidade Limpa. A empena de vidro tem escala e posição próprios de um outdoor. A proibição de transmitir mensagem publicitária conduziu à referência das imagens que antigos aparelhos de tevê emitiam quando não havia sinal de comunicação (noise).

Para tanto, elaborou‑se uma padronagem esteticamente aleatória com três tipos de vidro - transparente, jateado e branco -, combinação que também responde à necessidade de proteção solar e térmica na fachada norte. A escolha de blocos com certa opacidade aproxima o índice de absorção de energia térmica ao de uma parede convencional de alvenaria com janelas.

Para além dos argumentos tecnoecológicos, configura-se um recurso próprio a catedrais do medievo: nesse “vitral” contemporâneo, a luz direta do sol penetra formando desenho de pixels no interior do edifício. À noite, os escritórios em funcionamento fazem do prédio uma enorme lanterna. A luz que irradia cria uma pantomima para a cidade: o fundo do interior some, tudo perde seu relevo e permanece apenas o movimento e o gestual de silhuetas contra a luz.


Triptyque 
O escritório Triptyque reúne os arquitetos franceses Greg Bousquet, Guillaume Sibaud, Olivier Raffaelli e a brasileira Carolina Bueno, todos formados em 1999 pela Escola de Belas‑Artes de Paris. Na França, desenvolveram, com o arquiteto Yann LeSaëck, projetos para vitrines de Jean-Paul Gaultier, Cacharel e Isabel Marant, entre outros. No Brasil, venceram, em 2000, o concurso para projeto do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro; posteriormente, constituíram escritório em São Paulo

Vejas as fotos :

Fonte:ArcowebArcoweb

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